Às vezes, ando pelo meu passado
Como num prado com estradas mil.
Ali eu curto, como num recreio,
Esse passeio pelo que existiu.
Vejo-o como algo que já foi futuro,
Presente duro ou que nem vi passar.
Enfim, o agora bem vivenciado
Se faz passado grato de lembrar.
Assim, o tempo é uma bela estrada
Que nos é dada para caminhar.
Se for sofrido, não pense: “Desgraça!”
Pense: “Já passa e outro há de chegar.”
Foi seu passado difícil? Esqueça.
Outro aconteça a partir de agora.
Se do que fez, você não se redime,
Só se deprime. Mande, logo, embora.
Perdoe, desculpe o que não lhe compraz,
Deixe pra trás, cultive o que é flor.
Espinho fere. Esfrie a cabeça
E adormeça com sereno amor.
Se lhe chegar uma lembrança triste,
Logo a despiste com uma outra boa.
Só gaste tempo em se lembrar de quem
Lhe agrada e bem lhe fez como pessoa.
Sorriso ou lágrima pelo passado
É resultado do hoje vivido.
Vá cultivando, então, a vida assim:
Como um jardim bonito, bem florido.
Por isso, às vezes, ando em meu passado
Como num prado com estradas mil.
Ali, eu curto, como num recreio,
O meu passeio pelo que existiu.
